De todas as (poucas) certezas que tenho nesta vida, posso admitir com bastante convicção: 2009 já acabou. O ano terminou, mas para o esporte brasileiro, 2009 é apenas um começo, o início de uma nova era. O Rio de Janeiro será a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, um feito que foi conquistado em 2009, e o Brasil vai sediar a Copa do Mundo de 2014, algo que já sabíamos desde 2007. Pode soar paradoxal, mas o fim de 2009 está longe de ser um “ponto final”. Apenas o ano terminou. Só ele.
A preparação para receber os dois maiores eventos esportivos do mundo está longe do fim. Muito pelo contrário, na prática, sequer começou. Os brasileiros, que já têm a fama de não levar a pontualidade a sério, não parecem se importar com isto. Chega a ser um absurdo o Maracanã ficar aberto durante a maior parte de 2010.
Creio que tanto as Olimpíadas quanto a Copa do Mundo trarão benefícios ao Brasil e aos brasileiros. Entre outras inúmeras coisas, o transporte público precisa ser aperfeiçoado, e nada melhor do que uma obrigação e o mundo todo de olho para algo realmente ser feito e finalmente sair do papel. Ideias todos nós temos. O diferencial está em botar a mão na massa.
A todos, um feliz 2010!
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A coluna foi escrita por mim e está originalmente no seguinte endereço: http://prosaemverso.com.br/index.php/2009/12/31/2009-o-ano-que-ja-terminou/
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
A polêmica do voto pela internet do COB

No início desta semana aconteceu a décima edição do Prêmio Brasil Olímpico, promovido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Os atletas que mais se destacaram em suas modalidades foram premiados no Oscar do esporte brasileiro. A escolha dos melhores das 42 modalidades esportivas foi feita por personalidades, dirigentes e jornalistas ligados ao esporte. Esse mesmo júri indicou três atletas masculinos e três femininos para concorrer ao prêmio de atleta do ano, e a decisão ficou na mão do público, que votou pela internet. E é aí que a polêmica começa.
Neste ano, o nadador César Cielo e a judoca Sarah Menezes foram os vencedores. Cielo já era o favorito, e não restavam dúvidas de que ele seria o vencedor. Recentemente, o nadador bateu o recorde dos 50m livre. Nada mal, não é mesmo? Mas… quem é Sarah Menezes?
Confesso que fiquei assustado ao saber que a judoca do Piauí tinha sido eleita pelo voto popular como a melhor atleta do ano. O susto foi ainda maior porque Poliana Okimoto, das maratonas aquáticas, era a franca favorita. Poliana deixou o Maracanãzinho, local da cerimônia, sem o troféu e indignada com o resultado.
A polêmica veio logo à tona. No mesmo dia, sites de todo o país noticiavam que governador do Piauí, Wellington Dias, fez uma forte campanha pela atleta. O político usou o programa “Falando com o governador” para pedir votos e a agência de comunicação do estado também fez uma campanha maciça nas rádios do Piauí em favor de Sarah Menezes.
Creio que, com esta atitude, chegou a hora do COB mudar o sistema de votação do melhor atleta do ano. Não tenho absolutamente nada contra a atleta, mas não acredito que ela tenha sido merecedora do prêmio. Para quem não sabe, Sarah Menezes tem 19 anos e é bicampeã mundial juvenil de judô.
O sistema de votação do COB, que permitia que o internauta votasse quantas vezes quisesse, foi alvo de duras críticas por parte dos próprios atletas. O marido e também treinador de Poliana Okimoto se sentiu prejudicado e chegou a afirmar que o resultado foi “injusto”. O vencedor masculino, César Cielo, também usou o mesmo argumento para tentar explicar o resultado.
O governador do Piauí disse que as críticas fazem parte de um preconceito que o Brasil tem contra o estado. Não concordo. Já Sarah Menezes preferiu não entrar na polêmica e ignorou os comentários. Quem cala consente…
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Grupo do Brasil na Copa de 2010 não é 'lá essas coisas'

O sorteio que definiu os grupos da Copa do Mundo de 2010 aconteceu no último dia 4 de dezembro. Os torcedores brasileiros ficaram apreensivos com os seus primeiros adversários na África do Sul: Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal. Dunga, no entanto, diz que é bom enfrentar seleções fortes logo na primeira fase. Concordo com o técnico da seleção brasileira. Os jogadores do Brasil e os torcedores não têm motivos para temer qualquer equipe.
Quem tem que realmente se preocupar são os adversários. Qualquer seleção do mundo tem, pelo menos, respeito pelo Brasil. Respeito, para não dizer medo. Um empate com os brasileiros poderia ser motivo de festa para a Coreia do Norte, por exemplo. Disso, não tenho dúvidas.
Puxando pelo Grupo G, grupo do Brasil na Copa de 2010, creio que Portugal não é mais isso tudo que dizem, e também não será esse “bicho papão” que muitos comentam. Acredito que o melhor momento da seleção lusitana foi quando Felipão era o técnico. Agora, com Carlos Queiroz, os portugueses precisam se esforçar muito para brilhar no continente africano. Cristiano Ronaldo terá que jogar bola para provar que (ainda) é um craque. Afinal, ultimamente suas maiores e melhores aparições na mídia tem sido por fatores “extra-campo”. Uma pena.
A Costa do Marfim, do atacante Drogba, pode ser considerada a seleção mais perigosa do grupo do Brasil, na minha opinião. Digo isto porque os jogadores têm raça e uma vontade absurda de vencer, bem diferente de muitos times europeus da atualidade. Em 2006, na Copa da Alemanha, a seleção da Costa do Marfim foi uma zebra. Por que motivo a história não poderia se repetir em 2010?
Jogando o que sabe e tendo seriedade durante a concentração, a primeira fase da Copa de 2010 não será problema para o Brasil. Os erros da última Copa do Mundo não podem ser repetidos. Caberá ao técnico Dunga e aos jogadores honrar a camisa. Eu boto fé que isto acontecerá!
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A coluna foi escrita por mim e está originalmente no seguinte endereço: http://prosaemverso.com.br/index.php/2009/12/17/grupo-do-brasil-na-copa-de-2010-nao-e-%E2%80%9Cla-essas-coisas%E2%80%9D/
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Flamengo garante o título do Brasileirão 2009

Depois de nove anos, o Campeonato Brasileiro voltou a ser conquistado por um clube do Rio de Janeiro. No último domingo, o Flamengo cumpriu o seu papel e venceu o Grêmio num Maracanã repleto de rubro-negros por 2 a 1. O resultado bastou para o caneco retornar à Cidade Maravilhosa. O Vasco também fez o seu papel em 2000, no mesmo estádio, ao vencer o São Caetano.
Entre 2001 e 2008, seis títulos foram conquistados por clubes de São Paulo, com Corinthians (1), Santos (2) e São Paulo (3). Apenas Atlético Paranaense, em 2001, e Cruzeiro, em 2003, quebraram essa verdadeira hegemonia.
Será que o futebol carioca voltará aos seus tempos de glória? Esta é uma pergunta difícil a ser respondida. Já estamos cansados de escutar ou ler o clichê que diz que “o futebol é uma caixinha de surpresas”. Concordo. Nem sempre a equipe mais bem estruturada vence, nem sempre a equipe com o melhor time ganha. Não estou dizendo isso para desmerecer o título do Flamengo, muito pelo contrário. Isso acontece em todos os campeonatos em todo o mundo. O exemplo mais claro e recente é o da Copa do Mundo de 2006. O Brasil era o franco favorito e o que se viu foi uma lambança vergonhosa.
O Flamengo de 2009 mereceu o título do Campeonato Brasileiro. A arrancada do time no segundo turno foi espetacular, principalmente pelas exibições de gala do sérvio Dejan Petkovic e dos gols do artilheiro Adriano, o “Imperador”. Isso sem esquecer das boas defesas do goleiro Bruno e das excelentes roubadas de bola do chileno Maldonado. O zagueiro Ronaldo Angelim, autor do gol da virada no último domingo, também não pode ser deixado de fora. As suas exibições foram de uma regularidade de fazer inveja aos zagueiros de qualquer time ou seleção.
O Rio de Janeiro, no entanto, não teve como única surpresa o Flamengo. O Fluminense também deu um show à parte nas últimas rodadas. Para quem já dizia que o tricolor carioca iria disputar a Série B em 2010, acabou se decepcionando com as vitórias seguidas do time das Laranjeiras. O técnico Cuca mexeu praticamente em toda a equipe que vinha jogando até então. Apenas o argentino Conca permaneceu. Como esse gringo joga bola!
O Botafogo, outro sério candidato ao rebaixamento, também cumpriu o seu papel na última rodada e venceu o Palmeiras em casa por 2 a 1. A vitória ainda tirou o time paulista da Libertadores de 2010. Pobre Muricy Ramalho! O agora treinador palmeirense deve estar com saudades do seu antigo clube, o São Paulo. Após três títulos seguidos, Muricy passou uma temporada em branco.
Já o Vasco, venceu a Série B e está de volta à elite do futebol nacional. O time cruzmaltino não fez mais do que a obrigação, e os torcedores esperam por dias melhores em São Januário. Léo Gago, ex-Avaí, e Élder Granja, ex-Sport Recife, foram contratados e já se apresentaram ao clube. Rafael Coelho, do Figueirense, um dos artilheiros da Série B, está bem próximo de ser anunciado. Resta saber quem vai comandar a caravela vascaína em 2010. Que os ventos continuem soprando a favor dos times cariocas no ano que vem. O futebol brasileiro agradece.
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domingo, 6 de dezembro de 2009
Série B acaba e fim da Série A ainda motiva clubes

O Campeonato Brasileiro da Série B acabou no último fim de semana e única novidade ficou por conta do rebaixamento do Juventude. Antes, já sabíamos do título do Vasco, além do acesso de Guarani, Ceará e Atlético-GO. Os outros três rebaixados para a Série C de 2010 também já estavam definidos antes mesmo de sábado: ABC, Campinense e Fortaleza. O Vasco ganhou a competição com propriedade, mas cabe ressaltar que era pura obrigação, nada mais do que isto. Creio que a festa da torcida foi exagerada para um título tão pequeno para a grandeza do clube. Para mim, o sentimento de alívio e de dever cumprido bastava. E ponto final.
Já na Série A, a disputa pelo título nacional ainda motiva os clubes para a última rodada, diferentemente de outros anos do campeonato de pontos corridos. O Flamengo leva vantagem, mas todo cuidado é pouco. O rubro-negro precisa apenas vencer o Grêmio, no Maracanã, para comemorar o hexacampeonato (nota: segundo a CBF, entidade máxima do futebol brasileiro, seria o penta) sem depender de outros resultados. Esta tarefa está sendo encarada sem seriedade pela maioria dos torcedores. Afinal, se o Grêmio ganhar, pode dar de lambuja o título para o seu maior inimigo, o Internacional. Uma observação: sou totalmente contra a atitude da torcida gremista, que vem pedindo para o time entregar o jogo e, consequentemente, o campeonato para o Flamengo. Os cariocas têm condição de vencer a partida sem depender disto. O Brasileirão de 2009 não precisa – e não pode – ser manchado por tão pouco.
Os antes badalados e temidos clubes de São Paulo correm por fora para levantar o caneco de 2010. Apesar de Palmeiras e São Paulo terem o mesmo número de pontos do Inter (62), os gaúchos levam vantagem pelo número de vitórias: 18, contra 17 dos dois.
O Internacional encara, em casa, o praticamente rebaixado Santo André. O Palmeiras, terceiro colocado, vai ao Rio de Janeiro jogar contra o Botafogo, que precisa vencer para escapar da degola. O São Paulo joga diante de sua torcida contra o lanterna e já rebaixado Sport.
Resumindo, o próximo fim de semana será de muitas emoções para quem gosta de futebol em todo o Brasil. Flamengo, Inter, Palmeiras e São Paulo. Qual torcida soltará o grito de “É campeão”? E qual clube se juntará a Sport e Náutico na Série B de 2010? Santo André, Botafogo, Coritiba ou Fluminense? Façam suas apostas!
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sábado, 14 de novembro de 2009
O Gigante da Colina voltou! Vasco campeão da Série B 2009

O Club de Regatas Vasco da Gama está de volta ao lugar que nunca deveria ter saído: a Série A. Com apenas 6 derrotas em 2009, o time conseguiu provar que o seu lugar de origem não é a Segunda Divisão. A vitória na noite desta sexta-feira, 13 de novembro, sobre o América-RN, coroou a campanha cruzmaltina. E ainda restam 3 rodadas para o fim da competição!
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
SMTR admite que setor de transporte não acompanhou crescimento imobiliário de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro
Na última semana, o TIN mostrou como o crescimento imobiliário de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, tem prejudicado o trânsito do bairro. Procurada por nossa equipe, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), admitiu que Jacarepaguá se tornou um polo importante de desenvolvimento na cidade, com a multiplicação de moradias. Para minimizar o problema, já estão previstas algumas melhorias, até mesmo por conta dos Jogos Olímpicos de 2016.
O secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, disse que o crescimento do bairro não foi acompanhado de investimentos de infraestrutura. “Teremos condições de começar a reverter este quadro, com projetos estruturantes de transporte público ligando a Barra da Tijuca e Jacarepaguá às demais regiões da cidade, como os corredores de BRT (Bus Rapid Transit) T5 (Barra da Tijuca - Penha) e Ligação C (Barra da Tijuca - Deodoro)”, afirmou.
Os traçados dos dois projetos de corredores expressos com ônibus articulados passam por Jacarepaguá e terão condições de transportar aproximadamente 500 mil pessoas diariamente. O edital de licitação será publicado até o fim do ano para que as obras já tenham início no primeiro semestre de 2010. “Pretendemos iniciar as obras da ligação C o mais rápido possivel para que os dois projetos de BRT estejam concluídos em 2013″, concluiu Sansão.
***
A matéria foi escrita por mim e está originalmente no seguinte endereço: http://www.transporteideias.com.br/2009/10/22/smtr-admite-que-transporte-nao-acompanhou-crescimento-imobiliario-jacarepagua/
O secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, disse que o crescimento do bairro não foi acompanhado de investimentos de infraestrutura. “Teremos condições de começar a reverter este quadro, com projetos estruturantes de transporte público ligando a Barra da Tijuca e Jacarepaguá às demais regiões da cidade, como os corredores de BRT (Bus Rapid Transit) T5 (Barra da Tijuca - Penha) e Ligação C (Barra da Tijuca - Deodoro)”, afirmou.
Os traçados dos dois projetos de corredores expressos com ônibus articulados passam por Jacarepaguá e terão condições de transportar aproximadamente 500 mil pessoas diariamente. O edital de licitação será publicado até o fim do ano para que as obras já tenham início no primeiro semestre de 2010. “Pretendemos iniciar as obras da ligação C o mais rápido possivel para que os dois projetos de BRT estejam concluídos em 2013″, concluiu Sansão.
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A matéria foi escrita por mim e está originalmente no seguinte endereço: http://www.transporteideias.com.br/2009/10/22/smtr-admite-que-transporte-nao-acompanhou-crescimento-imobiliario-jacarepagua/
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Crescimento imobiliário provoca nó em trânsito de bairro da zona oeste do Rio de Janeiro
O crescimento imobiliário explosivo sem a implementação de projetos de trânsito e transporte público que acompanham o aumento populacional está tirando o sono de moradores de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Antes, as dificuldades de locomoção já existiam nas vias principais. Mas o quadro se agrava a cada dia. Agora, até mesmo as ruas de menor capacidade estão congestionadas.
O repórter aéreo Genílson Araújo, das rádios CBN, Globo e Beat98, que tem a missão de alertar os ouvintes sobre os problemas de tráfego da cidade, repara que o trânsito no bairro piorou muito. “Não só eu, o repórter, mas a população de Jacarepaguá percebe o que se passa diariamente”, conta.
Nos últimos anos, Jacarepaguá vem assistindo à derrubada de casas. Residências que abrigavam apenas uma família cada dão lugar a condomínios com dezenas - às vezes centenas - de apartamentos. Segundo dados da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), o ano de 2007 foi um marco para o mercado imobiliário da região. O bairro bateu a vizinha Barra da Tijuca - também na zona oeste, mas à beira-mar -, até então líder em lançamentos. Foram 4.290 unidades em Jacarepaguá, contra 2.993. No ano passado, 2.238 unidades foram lançadas, entre comerciais e residenciais.
Por ter muito espaço para ser explorado e um metro quadrado relativamente mais barato, o bairro acabou se transformando em um canteiro de obras. “Foram construídos, e ainda estão sendo construídos muitos prédios com a mudança de gabarito, principalmente na Estrada do Pau Ferro e na Estrada dos Três Rios”, diz o repórter que também é morador de Jacarepaguá. O público-alvo desses imóveis é a classe média.
Araújo prevê mais transtornos para a área, já que os futuros moradores levarão os seus automóveis também para as suas garagens, e demonstra também outra preocupação: a frota de veículos. De acordo o Detran-RJ, o total de veículos no município do Rio é de 2.227.731. Já no estado, a quantia também assusta: 4.642.164.
“O problema é que não houve, em contrapartida, o alargamento de vias e a criação de novas, ou até mesmo a estruturação delas para receber este tráfego”, comenta Araújo. Ele observa que o trânsito é pesado a qualquer hora do dia, mas quem acaba sofrendo mais são os moradores, que perdem muito tempo para sair do bairro, ou mesmo para pequenos deslocamentos internos.
O último grande projeto viário na região foi a Linha Amarela. A via expressa, que liga as zonas norte e oeste do Rio e passa pelo bairro, foi inaugurada há 12 anos. Os moradores esperam que o projeto do corredor de ônibus articulados T-5 finalmente saia do papel. A prefeitura promete publicar o edital de licitação do BRT que vai ligar a Barra da Tijuca à Penha, na zona norte, até o fim do ano
Segundo o repórter aéreo, os piores locais em Jacarepaguá em termos de trânsito são: Estrada do Pau Ferro, Estrada dos Três Rios, Avenida Geremário Dantas, Avenida Nélson Cardoso, Rua Cândido Benício, Estrada dos Bandeirantes e ruas secundárias.
***
A matéria foi escrita por mim e está originalmente no seguinte endereço: http://www.transporteideias.com.br/2009/10/15/crescimento-imobiliario-provoca-no-em-transito-de-bairro-da-zona-oeste-do-rio/
O repórter aéreo Genílson Araújo, das rádios CBN, Globo e Beat98, que tem a missão de alertar os ouvintes sobre os problemas de tráfego da cidade, repara que o trânsito no bairro piorou muito. “Não só eu, o repórter, mas a população de Jacarepaguá percebe o que se passa diariamente”, conta.
Nos últimos anos, Jacarepaguá vem assistindo à derrubada de casas. Residências que abrigavam apenas uma família cada dão lugar a condomínios com dezenas - às vezes centenas - de apartamentos. Segundo dados da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), o ano de 2007 foi um marco para o mercado imobiliário da região. O bairro bateu a vizinha Barra da Tijuca - também na zona oeste, mas à beira-mar -, até então líder em lançamentos. Foram 4.290 unidades em Jacarepaguá, contra 2.993. No ano passado, 2.238 unidades foram lançadas, entre comerciais e residenciais.
Por ter muito espaço para ser explorado e um metro quadrado relativamente mais barato, o bairro acabou se transformando em um canteiro de obras. “Foram construídos, e ainda estão sendo construídos muitos prédios com a mudança de gabarito, principalmente na Estrada do Pau Ferro e na Estrada dos Três Rios”, diz o repórter que também é morador de Jacarepaguá. O público-alvo desses imóveis é a classe média.
Araújo prevê mais transtornos para a área, já que os futuros moradores levarão os seus automóveis também para as suas garagens, e demonstra também outra preocupação: a frota de veículos. De acordo o Detran-RJ, o total de veículos no município do Rio é de 2.227.731. Já no estado, a quantia também assusta: 4.642.164.
“O problema é que não houve, em contrapartida, o alargamento de vias e a criação de novas, ou até mesmo a estruturação delas para receber este tráfego”, comenta Araújo. Ele observa que o trânsito é pesado a qualquer hora do dia, mas quem acaba sofrendo mais são os moradores, que perdem muito tempo para sair do bairro, ou mesmo para pequenos deslocamentos internos.
O último grande projeto viário na região foi a Linha Amarela. A via expressa, que liga as zonas norte e oeste do Rio e passa pelo bairro, foi inaugurada há 12 anos. Os moradores esperam que o projeto do corredor de ônibus articulados T-5 finalmente saia do papel. A prefeitura promete publicar o edital de licitação do BRT que vai ligar a Barra da Tijuca à Penha, na zona norte, até o fim do ano
Segundo o repórter aéreo, os piores locais em Jacarepaguá em termos de trânsito são: Estrada do Pau Ferro, Estrada dos Três Rios, Avenida Geremário Dantas, Avenida Nélson Cardoso, Rua Cândido Benício, Estrada dos Bandeirantes e ruas secundárias.
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A matéria foi escrita por mim e está originalmente no seguinte endereço: http://www.transporteideias.com.br/2009/10/15/crescimento-imobiliario-provoca-no-em-transito-de-bairro-da-zona-oeste-do-rio/
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Trecho de "Budapeste"
Ao final do DVD "Uma Palavra", Chico Buarque lê este trecho do romance "Budapeste", de sua própria autoria.
Eu era um jovem louro e saudável quando adentrei a baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conheci Teresa. Ao ouvir cantar Teresa, caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, senti que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era o meu, e foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa.
No princípio ela até gostou, ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela. Depois deu para ter ciúme, deu para me recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa.
Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha.
Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço. Depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a outras colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saiam da minha vida, e meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado.
Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final:
e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.
Eu era um jovem louro e saudável quando adentrei a baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conheci Teresa. Ao ouvir cantar Teresa, caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, senti que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era o meu, e foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa.
No princípio ela até gostou, ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela. Depois deu para ter ciúme, deu para me recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa.
Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha.
Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço. Depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a outras colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saiam da minha vida, e meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado.
Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final:
e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Saudades daquele tempo (por Helmut Leopold)
Que saudades daquele tempo
daquele tempo que nunca mais voltará.
Que saudades daquele tempo
que nunca mais vou viver.
Que saudades da minha infância
que já ficou para trás.
Mas ainda assim não me arrependo de nada,
aprendi com os acertos e muito mais com os erros.
Mesmo assim,
que saudades daquele tempo…
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